CNJ afasta juiz Marcelo Bretas por desvio de conduta na Lava Jato do Rio
4 jun

Marcelo Bretas é aposentado compulsoriamente por decisão histórica do CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não teve dúvidas: Marcelo Bretas, juiz que virou rosto da Lava Jato no Rio, foi afastado de suas funções e terá de se aposentar à força. Na sessão de 3 de junho de 2025, os conselheiros deram seu veredicto depois de analisar três processos disciplinares, todos apontando para excessos e desvios de conduta durante os anos à frente da 7ª Vara Federal Criminal. Bretas, que já estava suspenso desde 2023, agora perde definitivamente a toga — mas segue com salário proporcional ao tempo de serviço, uma bolada de cerca de R$ 61 mil por mês.

O tom do julgamento revelou o quanto as acusações contra Bretas pesaram. Testemunhos e provas vindos da OAB, do ex-corregedor do CNJ Luís Felipe Salomão e até do prefeito carioca Eduardo Paes serviram de base. Falaram em autoritarismo, uso indevido da função, protagonismo exagerado e tentativa de interferir na eleição de 2018. Relatórios mostraram que ele negociava penas e estratégias jurídicas para beneficiar alvos das investigações da Lava Jato — tudo sem a mínima preocupação com a imparcialidade que se espera de um juiz. Houve até menção direta à leniência diante de irregularidades ligadas a assessores próximos.

Votos contundentes, reações e caminho para o STF

Votos contundentes, reações e caminho para o STF

O caso que originou o afastamento definitivo foi relatado por José Rotondano, que não economizou nas palavras ao descrever a conduta de Bretas como “autoritária” e marcada por “desejo de protagonismo”. O procurador do CNJ, José Adonis, destacou como Bretas virou as costas para problemas internos e favoreceu pessoas do seu círculo. A votação mostrou o peso da situação: 13 votos a zero no caso relatado por Salomão, e 13 a 2 na ação aberta pela OAB.

  • Bretas negociava penas com investigados e participava de estratégias, de modo irregular;
  • Interfereu em processos ligados à classe política, inclusive nas eleições de 2018;
  • Foi omisso diante de desvios do seu próprio gabinete;
  • Já estava afastado há quase dois anos quando veio a sentença final.

Mesmo com tudo isso, o juiz poderá continuar recebendo aposentadoria — erro, para críticos que exigem punições mais duras quando há abuso de poder no Judiciário. Ana Luiza Vogado, advogada de defesa de Bretas, bateu na tecla de contradições e prometeu recorrer ao Supremo Tribunal Federal. O clima ficou dividido fora do plenário: parte da opinião pública pediu responsabilização, enquanto aliados de Bretas viram perseguição e ataque à Lava Jato.

A decisão do CNJ entra para a lista das mais emblemáticas contra juízes de operação Lava Jato, que foi símbolo de combate à corrupção, mas também alvo de seguidas denúncias de abuso de autoridade. O clima de bastidor no Judiciário é de alerta: a mensagem é que não há blindagem para quem ultrapassa limites, mesmo em processos de grande visibilidade.

Maria Cardoso

Trabalho como jornalista de notícias e adoro escrever sobre os temas do dia a dia no Brasil. Minha paixão é informar e envolver-me com os leitores através de histórias relevantes e impactantes.

ver todas as publicações

11 Comentários

Camila Freire

  • junho 6, 2025 AT 03:03

Bretas era o herói dos jornalistas e dos que queriam ver político preso, mas esqueceram que juiz não é promotor, nem policial, nem influencer. Ele virou show, e show não tem lugar no Judiciário. Agora todo mundo tá com medo de ser o próximo, mas era só questão de tempo.

Guilherme Vilela

  • junho 7, 2025 AT 16:53

É triste ver alguém que começou com tanta boa intenção acabar assim. Mas a justiça tem que ser cega, não só quando é confortável. Parabéns ao CNJ por não ter medo de encarar o próprio sistema. 🙏

John Santos

  • junho 8, 2025 AT 00:38

Se o sistema não corrigir quem tá errado, ele não serve pra nada. Bretas fez muita coisa boa, mas quando você pisa fora da linha, não adianta dizer que era pra combater a corrupção. A lei tem que valer pra todo mundo, mesmo os que acham que são exceção.

Priscila Santos

  • junho 9, 2025 AT 10:01

Tudo isso é só perseguição disfarçada de ética. Lava Jato foi a única coisa que funcionou nesse país podre. Agora vão tirar o único juiz que tinha coragem?

Daiane Rocha

  • junho 9, 2025 AT 19:58

Aqui está o cerne da questão: o poder sem transparência vira tirania, mesmo quando disfarçado de moralidade. Bretas não só violou procedimentos - ele transformou a 7ª Vara num palco de personalismo jurídico. E isso é mais perigoso do que qualquer corrupção, porque corroí a fé nas instituições. Não é sobre ele ser bom ou ruim: é sobre o precedente. E o precedente é que ninguém, por mais celebrado que seja, está acima da lei.

Studio Yuri Diaz

  • junho 10, 2025 AT 13:06

A decisão do CNJ representa um marco civilizatório. Em uma sociedade que historicamente venera o herói individual - mesmo quando este transgride os limites constitucionais -, o fato de se impor a regra sobre a personalidade é um ato de maturidade institucional. A Lava Jato, por mais inspiradora que tenha sido em seus primórdios, não pode ser santificada ao ponto de sacrificar os pilares do Estado de Direito. A justiça não é um espetáculo; é um processo.

Sônia caldas

  • junho 12, 2025 AT 12:56

eu não sei... tipo, ele fez coisas erradas, mas também fez muitas coisas certas? e agora ele tá com 61k por mês? isso é justo?... idk, my head hurts

Rosiclea julio

  • junho 14, 2025 AT 00:50

Se alguém tá recebendo 61 mil por mês depois de ser afastado por abuso de poder, o sistema tá falhando. A aposentadoria é direito, mas não pode virar prêmio por mau comportamento. Quem tá nesse cargo tem que ser exemplo, não um rei com toga. A gente precisa de juízes que respeitem a lei, não que a usem como escada.

Leila Swinbourne

  • junho 14, 2025 AT 14:20

Isso é o que acontece quando você permite que ideologia substitua direito. Bretas foi um símbolo de resistência contra a corrupção, e agora estão o destruindo por vingança política. O CNJ virou um clube de elite que pune quem ousa agir. E o pior? Todo mundo que apoiou a Lava Jato agora tá com medo de falar.

Nessa Rodrigues

  • junho 14, 2025 AT 23:16

A justiça tem que ser justa pra todos, mesmo os que a gente ama.

Ana Carolina Nesello Siqueira

  • junho 15, 2025 AT 17:22

ELES SABEM QUE ELE ERA O ÚNICO QUE NÃO TINHA MEDO DE ENFRENTAR OS PODEROSOS, E AGORA TÃO TENTANDO APAGAR TUDO QUE ELE FEZ COM UM VOTO DE 13 A 2? QUEM VAI FAZER O QUE ELE FEZ AGORA? QUEM VAI SER O PRÓXIMO A SER CORTADO POR TER CORAGEM? ISSO NÃO É JUSTIÇA, É TERROR JURÍDICO. E EU NÃO VOU ME CALAR.

Escreva um comentário