Glaucoma: Gloria Pires lidera campanha do CBO e expõe risco de cegueira e fake news
27 ago

Até 7% das pessoas acima dos 70 anos podem desenvolver glaucoma. É muita gente correndo risco de perder a visão sem perceber. Foi com esse alerta que Gloria Pires e uma rede de médicos se juntaram ao Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) na maratona informativa “24 Horas pelo Glaucoma”. A ideia é simples e direta: levar informação confiável, derrubar boatos e fazer mais brasileiros marcarem consulta a tempo.

O esforço não foi só de palco e selfie. Teve painel com especialistas, conteúdo nas redes, entrevistas e uma mensagem repetida de forma clara: quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de segurar a doença. A presença de uma artista popular funciona como megafone. Em saúde pública, atenção é ouro — e a campanha tentou transformar audiência em prevenção.

Médicos que participaram dos debates chamaram atenção para um problema paralelo: a enxurrada de promessas falsas. Gente se endivida com “tratamentos milagrosos” para glaucoma, catarata e degeneração macular. O CBO e conselhos de saúde têm recebido relatos e decidiram reagir com informação verificável, linguagem simples e orientação sobre onde buscar atendimento.

Por que a campanha importa

O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Atinge de 1% a 2% da população geral, sobe para cerca de 2% após os 40 anos e pode chegar a 6%–7% depois dos 70. O dado assusta ainda mais porque a doença costuma evoluir em silêncio. No começo, não dói, não embaça, não dá sinal. Quando a pessoa percebe perda de campo visual, o dano ao nervo óptico já é permanente.

Existem vários tipos, mas o mais comum é o glaucoma primário de ângulo aberto. Ele está ligado a uma dificuldade de drenagem do humor aquoso dentro do olho, o que aumenta a pressão intraocular e, com o tempo, lesa o nervo. Há também formas mais raras, como o de ângulo fechado (que pode dar crise com dor intensa e visão de halos coloridos), além de tipos secundários por inflamação, trauma, uso prolongado de corticoide ou após cirurgias.

Alguns grupos precisam de atenção redobrada. A lista de risco inclui:

  • Idade acima de 40 anos (risco cresce progressivamente com a idade).
  • Histórico familiar de glaucoma (pais ou irmãos).
  • Pressão intraocular elevada nas consultas de rotina.
  • Origem negra ou parda, que tem incidência maior de certas formas da doença.
  • Miopia alta, diabetes, hipertensão arterial e apneia do sono.
  • Uso crônico de corticoide (colírio, comprimido ou inalatório) sem monitoramento oftalmológico.

Se você está em um desses grupos, não espere ter sintomas. Recomendações práticas usadas na rotina dos consultórios: checagem oftalmológica pelo menos a cada dois anos entre 40 e 60 anos, e anual após os 60. Para quem tem fatores de risco ou histórico familiar, a frequência pode ser maior, a critério do oftalmologista.

O diagnóstico combina conversas e tecnologia. O médico mede a pressão do olho (tonometria), avalia o ângulo de drenagem (gonioscopia), examina o nervo óptico (fundoscopia), testa o campo visual e pode pedir tomografia de nervo e fibras (OCT). Não é exame de 10 minutos: é acompanhamento. E aqui está a virada de chave da campanha: fazer as pessoas entenderem que “olho sem dor” não é sinônimo de olho saudável.

Exames, tratamento e como escapar da desinformação

Tratamento existe — e funciona — para segurar a doença. Em geral, o primeiro passo são colírios que reduzem a pressão intraocular. Há classes diferentes (prostaglandinas, beta-bloqueadores, entre outras) que o médico ajusta conforme resposta e tolerância. Quando necessário, entram procedimentos a laser e cirurgias para melhorar a drenagem do olho. O objetivo não é “curar”, mas estabilizar. Isso exige disciplina: pingar o colírio todo dia, voltar às reavaliações, ajustar dose quando preciso.

No SUS, o paciente pode ser acompanhado por oftalmologistas e, quando indicado, fazer cirurgia. O caminho costuma começar na unidade básica com encaminhamento para o especialista. Estados e municípios têm fluxos próprios para acesso a colírios e procedimentos; vale perguntar na rede local como funciona a dispensação e onde são os centros de referência.

E o que fazer com as promessas que aparecem na internet? A campanha dedicou boa parte do tempo a desarmar boatos. Especialistas relatam casos de pessoas que gastam muito dinheiro com “gotas naturais”, suplementos “que regeneram o nervo” ou terapias sem comprovação. Sinais de alerta:

  • Promessa de cura definitiva de glaucoma com cápsulas, chás ou “energização”.
  • Vendedor que pede para abandonar colírios do médico.
  • Produtos sem registro na Anvisa ou sem bula clara.
  • Depoimentos emocionais em vez de dados e estudos revisados.

Dica simples para não cair em cilada: verifique se o profissional tem registro médico ativo, busque o nome em conselhos regionais, veja se o tratamento aparece em diretrizes do CBO ou em revisões científicas. Se a proposta exigir pagamento alto, pressão para decidir “agora” e prometer milagre, desconfie. Glaucoma sério se trata com acompanhamento sério.

Há também o custo do atraso. Perda visual aumenta risco de quedas, fraturas, perda de autonomia e depressão. Famílias mudam rotinas para cuidar de quem deixa de dirigir, trabalhar ou se locomover sozinho. Sistemas de saúde, público e privado, gastam mais com internações e reabilitação. Investir na prevenção sai mais barato — e preserva qualidade de vida.

Por que colocar celebridades no centro dessa conversa? Porque funciona. Em campanhas de saúde, pessoas conhecidas abrem portas onde boletins técnicos não chegam. O público para, escuta e compartilha. A mensagem que a equipe de Gloria Pires vem repetindo é pragmática: exame preventivo, consulta regular e desconfiança de atalhos. Sem glamour, sem promessa vazia.

Para quem quer transformar alerta em ação, aqui vai um roteiro simples inspirado nas recomendações discutidas nos painéis do CBO:

  1. Marque uma avaliação oftalmológica completa se você tem 40 anos ou mais — principalmente se há casos na família.
  2. Anote medicamentos que usa, inclusive corticoides, e leve à consulta.
  3. Se o oftalmologista prescrever colírio para glaucoma, use nos horários certos. Não interrompa por conta própria.
  4. Guarde resultados de campo visual e OCT. Eles ajudam a acompanhar a evolução ao longo dos anos.
  5. Se encontrar “cura” milagrosa na internet, leve a proposta ao médico antes de abrir a carteira.

O CBO indica que a conversa não acaba com a maratona de 24 horas. A entidade pretende manter a pauta ativa, reforçando a checagem de fatos e o acesso à informação segura. A lógica é clara: quanto mais gente souber o básico — risco, exame, tratamento —, menos brasileiros vão descobrir tarde demais que tinham uma doença silenciosa avançando no escuro.

Glaucoma não precisa ser sinônimo de cegueira. Precisa, isso sim, de diagnóstico precoce, cuidado contínuo e decisões informadas. O recado da campanha ficou cristalino: marque a consulta, faça os exames e trate com orientação profissional. O resto é ruído.

Maria Cardoso

Trabalho como jornalista de notícias e adoro escrever sobre os temas do dia a dia no Brasil. Minha paixão é informar e envolver-me com os leitores através de histórias relevantes e impactantes.

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19 Comentários

Camila Freire

  • agosto 28, 2025 AT 13:14

Pô, mais uma campanha com Gloria Pires... Mas sério, quem acredita que colírio resolve glaucoma? Eu tenho um tio que usou "gotinha de alecrim" e melhorou. A ciência é só uma religião disfarçada de laboratório.

Guilherme Vilela

  • agosto 29, 2025 AT 10:32

Eu achei a campanha incrível! 😊 Realmente, não dá pra ignorar esse negócio de olho sem dor = olho saudável. Meu pai tinha glaucoma e só descobriu quando já estava quase cego... Por favor, marquem essa consulta. Vida boa é vida com visão.

John Santos

  • agosto 30, 2025 AT 11:54

Essa campanha tá no ponto. Muita gente acha que se não tá sentindo dor, tá tudo bem. Mas glaucoma é silencioso mesmo. Meu avô passou por isso e hoje ele só enxerga metade do que tinha. Colírio todo dia, consulta anual - não é opcional, é vida.

Priscila Santos

  • setembro 1, 2025 AT 10:42

Tá, mas e se eu não tiver dinheiro pra fazer exames? E se o SUS tiver fila de 6 meses? Aí a campanha vira piada, né? Só fala pra gente fazer exame, mas não fala como acessar.

Daiane Rocha

  • setembro 1, 2025 AT 18:10

A verdade é que a desinformação sobre glaucoma é um verdadeiro crime de lesa-saúde-pública. Existem vídeos no YouTube com influenciadores vendendo "óleo de coco curativo" como se fosse um remédio de prescrição. Isso não é só ignorância - é perigo disfarçado de dica de bem-estar. O CBO fez bem em enfrentar isso com dados, não com moralismo.

Studio Yuri Diaz

  • setembro 3, 2025 AT 09:30

A campanha, ao elevar a figura de Gloria Pires, não apenas dissemina conhecimento, mas também reafirma o valor da empatia na comunicação científica. A ciência, quando desprovida de humanidade, torna-se um monumento à abstração. A arte, por sua vez, é o veículo que transcende o tecnicismo e toca o coração da população. É nesse cruzamento que reside a eficácia real da prevenção.

Sônia caldas

  • setembro 4, 2025 AT 15:01

eu fiquei chocado quando descobri que meu vizinho gastou 3 mil reais com um "chá milagroso"... ele até mandou foto pro grupo da família... mas aí ele perdeu o campo visual direito... 😔 eu não sei o que é pior: a doença ou as pessoas que acreditam em tudo que vem na internet...

Rosiclea julio

  • setembro 4, 2025 AT 18:19

Se você tem 40+, ou tem parente com glaucoma, ou usa colírio de corticoide pra alergia - NÃO ESPERE SINTOMA. Vai no oftalmo. É rápido, é gratuito no SUS, e pode te salvar da cegueira. Eu fui por recomendação e descobri que tinha pressão alta no olho direito. Hoje tomo colírio e vejo tudo direitinho. 💙

Leila Swinbourne

  • setembro 5, 2025 AT 23:03

Tá, mas por que a Gloria Pires? Por que não um médico? Por que não um pesquisador? É só porque ela é bonita e famosa? A saúde pública não é reality show. Isso é populismo disfarçado de conscientização.

Nessa Rodrigues

  • setembro 7, 2025 AT 13:36

Faz sentido. Meu pai nunca foi ao oftalmo. Agora ele vê tudo turvo. Não foi por falta de informação. Foi por falta de coragem.

Ana Carolina Nesello Siqueira

  • setembro 8, 2025 AT 08:31

Essa campanha é tão emocionalmente manipuladora que quase chorei... mas não por causa do glaucoma, por causa da forma como usam a Gloria Pires como símbolo de salvação. É como se o povo brasileiro só entendesse saúde se tiver um rosto bonito falando. É triste. É lindo. É perigoso. É tudo ao mesmo tempo.

eduardo rover mendes

  • setembro 8, 2025 AT 12:16

Sabe o que é pior que glaucoma? Achar que você não precisa de exame porque "não tem histórico". Meu primo tinha 32 anos, sem nada na família, e descobriu glaucoma por acaso. O nervo dele já estava 60% destruído. Não é só coisa de idoso. É coisa de quem não se cuida. Ponto.

valdete gomes silva

  • setembro 10, 2025 AT 06:02

E quem acha que colírio é a solução? Isso é o que o sistema quer que a gente acredite. Eles lucram com isso. Tem tratamento natural, herbal, energético, que já curou milhares. Mas a indústria farmacêutica não quer que você saiba. Eles vendem colírio pra sempre. E você? Vai continuar sendo escravo do sistema?

Renan Furlan

  • setembro 10, 2025 AT 20:29

Se você tá lendo isso e tem 45 ou mais, vai no posto de saúde e pede o exame de fundo de olho. É só isso. Não precisa de milagre. Não precisa de app. Só precisa de coragem pra ir. Eu fui. Fiz. E hoje tô tranquilo.

João Paulo S. dos Santos

  • setembro 11, 2025 AT 06:46

Acho que a maior arma contra o glaucoma é a gente parar de achar que saúde é só quando dói. É como escovar os dentes - não espera dor pra fazer. É rotina. E se o seu médico não te fala disso, troca de médico. Ponto final.

thiago oliveira

  • setembro 12, 2025 AT 07:30

A campanha é boa, mas é superficial. Ninguém fala que o glaucoma é mais comum em negros e pardos porque o sistema de saúde negligencia essas populações. O CBO deveria exigir que os hospitais públicos tivessem protocolos específicos, não só fazer vídeos com atrizes.

Nayane Bastos

  • setembro 14, 2025 AT 06:50

Se você tá com medo de ir ao oftalmo, não está sozinho. Eu também tinha. Mas quando vi o resultado do meu OCT e percebi que ainda dava pra segurar, fiquei em paz. Não é um exame assustador. É um abraço que o seu olho te dá antes de tudo piorar.

felipe sousa

  • setembro 15, 2025 AT 09:43

Brasil é um lixo. O SUS não tem colírio, o médico não tem tempo, e agora querem que a gente acredite em campanha de atriz? Só falta colocar o Bolsonaro no vídeo.

Priscila Ribeiro

  • setembro 17, 2025 AT 08:27

Você não precisa ser um gênio pra se cuidar. Só precisa de um pouquinho de coragem. Marque a consulta. Faça o exame. Use o colírio. Não deixe o medo ser maior que a sua visão. Você vale isso.

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