Djokovic confronta árbitro por barulho da torcida no US Open em jogo contra Fritz; debate sobre forma física reaparece
3 set

O confronto com o árbitro e a torcida

Em Nova York, nada é discreto. Nem o barulho da arquibancada, nem a reação de Djokovic. No duelo de quartas de final do US Open 2025 contra o norte-americano Taylor Fritz, o sérvio interrompeu o jogo em mais de um momento para cobrar do árbitro de cadeira um controle maior do público, que seguia vibrando e falando entre os pontos. O clima, típico das sessões noturnas no Arthur Ashe Stadium, ganhou um peso extra por envolver um adversário da casa.

Segundo relatos do próprio evento e das imagens exibidas, a reclamação girou em torno de gritos e ruídos no momento do saque e na preparação dos pontos. Djokovic pediu silêncio antes do toss e gesticulou para o árbitro reforçar a regra básica do tênis: barulho faz parte, mas não durante a execução do ponto. A arbitragem interveio, fez pedidos ao público, mas o ruído seguiu como pano de fundo do confronto.

Após a partida, na entrevista em quadra, o sérvio voltou ao tema. Evitou esticar a polêmica, mas deixou claro que o ruído constante exige ajustes de concentração e ritmo. Para um jogador que constrói pontos milimetricamente, qualquer distração muda o tempo do golpe, a leitura da devolução e o posicionamento. Ainda mais contra Fritz, que serve pesado, busca a primeira bola e joga com a energia da torcida.

Nova York tem suas próprias regras não escritas. A torcida participa, grita entre pontos, vive o jogo. O US Open aproveita essa atmosfera para criar um produto diferente de Wimbledon e Roland Garros. Só que a linha entre empolgação e interferência é fina. Quando o barulho entra na execução do ponto, vira tema de arbitragem. E, no tênis, isso pode decidir um break, um set, um jogo.

Vale lembrar que Fritz está acostumado a esse ambiente e tende a se alimentar da vibração local. Para quem enfrenta o norte-americano no Ashe, a sensação é de estar sempre lidando com uma bola extra: a pressão do público. Djokovic conhece esse roteiro. Já viveu apoios divididos em Nova York, vaias, aplausos e reviravoltas. Não foi diferente desta vez.

Forma física, cabeça e os limites do barulho

Forma física, cabeça e os limites do barulho

Outro ponto que reapareceu nos bastidores foi a conversa sobre a forma do sérvio. Aos 38 anos, ele precisa escolher calendário, recuperar mais entre partidas e entender melhor quando arriscar e quando segurar. Em temporadas recentes, oscilou em sensações físicas ao longo de torneios longos, algo natural com a idade e a carga de jogos. Em partidas duras, qualquer incômodo ou cansaço potencializa a irritação com fatores externos.

Esse é o cenário que ajuda a explicar por que barulho e frustração acabam virando uma coisa só. Se o corpo não responde 100% em determinados dias, a tolerância ao que foge do controle cai. É humano. E no tênis, ao contrário de esportes coletivos, o jogador não tem para onde correr: cada ponto é um duelo psicológico, e a arquibancada vira parte da equação.

Do lado da arbitragem, há um manual claro. O árbitro pode pedir silêncio, advertir setores específicos, esperar o fim do ruído para autorizar o saque e até interromper o ponto em caso de interferência evidente. Na prática, é um equilíbrio difícil: não dá para transformar o Ashe em biblioteca. O que se pede é respeito no “ready, play” e na preparação do golpe.

O US Open, aliás, vem há anos calibrando esse ambiente. As mensagens no telão reforçam “quiet please” antes do saque, os seguranças localizam focos de tumulto, e os juízes de linha sinalizam quando o barulho passa do ponto. Mesmo assim, a energia do estádio escapa por frestas. É parte da marca do torneio, e parte do desafio mental de quem quer erguer o troféu em Nova York.

Na quadra, o duelo com Fritz tem um roteiro conhecido: saque pesado do americano, troca curta quando ele encaixa a primeira bola e paciência do sérvio para alongar rallies, variar alturas e ângulos e quebrar o ritmo. Qualquer ruído no toss de um ou na preparação do outro bagunça esse tabuleiro. Daí a importância da conversa com o árbitro. Não é cena apenas por cena. É gestão de risco.

Dentro do vestiário, a equipe do sérvio deve ter trabalhado dois focos: ajuste tático e proteção mental. Ajuste tático para devolver mais profundo e tirar o forehand de Fritz da zona de conforto. Proteção mental para aceitar o barulho de fundo, filtrar o que dá para filtrar e não desperdiçar energia em batalhas perdidas. Jogadores experientes escolhem suas guerras. E, muitas vezes, basta mostrar ao árbitro — e à torcida — que há um limite para que o jogo se mantenha leal.

Para o torneio, episódios assim são um lembrete. A experiência “US Open” funciona porque a torcida participa, mas ela precisa participar do jeito certo. A organização sabe que grandes nomes, como Djokovic, atraem público e audiência. Também sabe que ambientes hostis podem virar manchete pelos motivos errados. O ponto de equilíbrio está em reforçar educação no estádio, treinar melhor a comunicação da arbitragem e, quando necessário, parar o jogo por alguns segundos até que o silêncio mínimo retorne.

E tem o lado esportivo, claro. Em reta final de Grand Slam, concentração é tudo. Se o sérvio sente que não está no auge físico, a margem para erro diminui. Cada saque do americano vira um pequeno match point em ritmo de playoff. Cada game de serviço pede primeiro saque, primeiro golpe limpo e cabeça no lugar. No miolo do jogo, a torcida percebe o drama e aumenta o volume. É aí que veteranos fazem diferença: rotina entre pontos, respiração, rituais simples para retomar o foco.

O caso reacende também uma discussão antiga: até onde vai o papel da torcida no tênis? Em Nova York, a resposta nunca será “silêncio absoluto”. Mas há consenso entre jogadores e árbitros de que gritos durante o golpe não cabem. É uma linha que, quando respeitada, mantém o espírito do US Open intacto sem virar ruído no placar. E quando não é respeitada, a intervenção precisa ser rápida e visível. Ajuda a quadra, ajuda a TV e, no fim, ajuda o espetáculo.

Do lado de Fritz, há méritos. Enfrentar o sérvio em um palco desses exige coragem para seguir o plano, mesmo quando a pressão aumenta. Para ele, o público é combustível. Para o rival, obstáculo. Esse jogo emocional faz parte da graça do esporte. E quando um número 1 ou 2 do mundo — ou alguém que já dominou a década — pede ordem, ele não está pedindo vantagem. Está pedindo que a disputa seja decidida pela bola.

O torneio segue, e com ele o debate. Djokovic vai tentar transformar a irritação em combustível, como já fez em outras campanhas de Slam. Fritz vai tentar usar a energia da casa sem cruzar a linha do ruído indevido. A arbitragem, por sua vez, terá de se antecipar ao caos de arquibancada. Se esse triângulo se ajeitar, quem ganha é o tênis. Em Nova York, isso é mais difícil do que parece. Mas é possível.

Para os próximos jogos, alguns pontos devem guiar o ambiente no Ashe:

  • Árbitros mais proativos em pedir silêncio antes do saque.
  • Mensagens claras à torcida sobre quando vibrar e quando segurar a voz.
  • Jogadores alinhados com a arbitragem para evitar discussões repetidas.
  • Seguranças atentos a focos específicos de perturbação, não ao estádio inteiro.

No fim do dia, todos querem a mesma coisa: um jogo intenso, barulhento na hora certa e silencioso na fração de segundo que decide um winner ou uma quebra de saque. É essa coreografia que faz o US Open ser único — e também tão difícil de dominar.

Maria Cardoso

Trabalho como jornalista de notícias e adoro escrever sobre os temas do dia a dia no Brasil. Minha paixão é informar e envolver-me com os leitores através de histórias relevantes e impactantes.

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9 Comentários

Isabelle Souza

  • setembro 3, 2025 AT 19:25

É curioso como o tênis, um esporte tão individual, se torna um palco coletivo de emoções. O barulho da torcida não é só ruído - é energia, é história, é identidade. Mas quando o silêncio entre o toss e o saque vira uma batalha, a gente lembra: o esporte é feito de frações de segundo. Djokovic não está pedindo silêncio total; ele está pedindo respeito ao ritmo. E isso, no fundo, é um pedido de humanidade em meio ao caos.

Francis Tañajura

  • setembro 3, 2025 AT 23:58

Essa história toda é só desculpa de quem tá envelhecendo e não consegue mais lidar com o mundo real. Se o corpo tá falhando, melhora o treino, não fica chorando pro árbitro. A torcida tá lá pra vibrar, não pra fazer meditação guiada. Fritz tá jogando com a alma, e o Djokovic tá jogando com o ego. Qual deles é o verdadeiro competidor? Pergunta pra quem tá no chão da quadra, não pra quem tá no sofá comentando.

Nat Vlc

  • setembro 4, 2025 AT 16:15

Concordo com a Isabelle - é uma coreografia delicada. A torcida do US Open é parte do espetáculo, como o gelo no hóquei ou o fumo no futebol argentino. Mas o tênis tem uma alma diferente: cada ponto é um suspiro. O que o Djokovic quer é só um momento de paz entre os gestos. Não é privilégio, é profissionalismo. E se o árbitro não consegue regular isso, talvez seja hora de treinar melhor os juízes, não de exigir que o público vire estátua.

Miguel Oliveira

  • setembro 4, 2025 AT 22:59

Se o Djokovic tá com o corpo cansado, ele deveria parar de jogar. Ponto. Ninguém te obriga a brigar com o mundo só porque tá velho. A torcida tá fazendo o que ela faz desde 1970. Se você não aguenta, vá pro tênis de mesa. #RespeitoAoPublico #DjokovicTáFadigado

Allan Fabrykant

  • setembro 6, 2025 AT 08:42

Olha, eu tô aqui pra dizer que essa discussão toda é uma grande farsa montada pela ATP e pela ESPN pra manter o interesse. O barulho? É marketing. O ‘controle da torcida’? É um espetáculo dentro do espetáculo. Djokovic sabe que, quando ele reclama, o mundo inteiro olha. E o US Open adora isso. O Fritz? Ele tá só no seu elemento. Mas o verdadeiro vilão aqui é o sistema: eles querem que o público seja barulhento, mas só quando não atrapalha o favorito. É um jogo de poder disfarçado de ética. E o pior? Todo mundo cai nisso. Inclusive eu, que tô aqui discutindo isso em vez de assistir ao próximo jogo.

Leandro Pessoa

  • setembro 7, 2025 AT 02:02

Isso aqui não é sobre barulho. É sobre resiliência. O Djokovic não tá pedindo silêncio - tá pedindo que o jogo seja justo. E se o corpo dele tá cansado, é porque ele jogou 20 anos no topo. Enquanto alguns acham que ele tá reclamando por fraqueza, eu vejo um guerreiro tentando manter a dignidade em um ambiente que já virou circo. A torcida pode vibrar, mas não pode roubar o ponto. É simples. E se o árbitro não age, ele tá falhando. Não o jogador.

Matheus Alvarez

  • setembro 7, 2025 AT 15:46

É triste, né? Um dos maiores de todos os tempos, reduzido a um velho brigando com o público porque o corpo não obedece mais. A vida é assim: você constrói um império, e um dia, até o silêncio vira um privilégio. O tênis não é só bola e raquete - é alma. E a alma dele tá cansada. A torcida não entende. O árbitro não consegue controlar. E o mundo? Só quer o drama. Mas o que realmente importa? Que ele ainda está lá. Mesmo com o corpo falhando. Mesmo com o barulho. Mesmo com tudo. Ele não desistiu. E isso, mais do que qualquer troféu, é o que me faz levantar todo dia.

Elisângela Oliveira

  • setembro 9, 2025 AT 10:30

Francis, você tá errado. Não é sobre idade, é sobre regra. Se o público grita no meio do saque, é interferência. Ponto. Não é o Djokovic sendo chato - é o sistema falhando. O US Open tem regras claras, e elas existem pra proteger o equilíbrio do jogo. Se o árbitro não age, ele tá falhando. E se o jogador precisa pedir, é porque o sistema já não está funcionando. Isso não é reclamação. É responsabilidade. E a torcida? Ela pode vibrar - só não no momento certo. É como tocar celular na sala de cinema: não é malícia, é falta de consciência. E aí, quem tem que mudar? O público, ou quem não ensina?

Diego Sobral Santos

  • setembro 9, 2025 AT 13:07

Se o Djokovic tivesse 25 anos, ninguém diria nada. Mas agora que tá mais velho, todo mundo acha que ele tá fraco. A verdade? Ele tá mais forte do que a maioria de nós. Ele sabe que o barulho é parte do jogo, mas também sabe que o jogo precisa ser justo. Não é pedir favores. É pedir respeito. E se o público aprender a vibrar no tempo certo, o tênis ganha. A torcida ganha. O esporte ganha. E o Djokovic? Ele só quer jogar. Sem distrações. Sem pressão extra. Só o que ele sempre fez: brilhar. E isso, não tem idade.

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